Antonio Bolognesi: Energia e Competitividade

 em Destaque

Segundo Aurélio Buarque de Holanda, ser competitivo é possuir características que permitam ter bons resultados face à concorrência. O autor ainda observa que Competitividade é a qualidade daquele que é competitivo.

Parece obvio não é? Mas poucos são os empreendedores que realmente se preocupam com o tema de forma estruturada e disciplinada, ou seja, ser competitivo exige reflexões constantes e envolve a adoção de estratégias que vão determinar o quanto irá crescer e o quão duradouro será um negocio.

Dentro das características da empresa competitiva, talvez a mais importante seja a preocupação com seus custos, o que exige uma minuciosa e permanente analise dos elementos essenciais para a produção de um determinado produto ou serviço, o que no final, vai determinar a sobrevivência do negocio.

Dentre rol dos insumos de qualquer negocio, certamente a energia, em suas varias formas, estará presente e, sua participação varia de acordo com as características do negocio.  No entanto, muitas empresas dão pouca ou nenhuma importância para o uso eficiente desse recurso, por entender que basta assinar um contrato de suprimento, ou substituir algumas lâmpadas que o problema está equacionado. Não é bem assim.

A preocupação com o uso eficiente da energia tem gerado negócios crescentes em países desenvolvidos, pois é generalizada a percepção de que a energia tem impacto direto na competitividade. Para se ter uma ideia, no ano passado foram investidos no mundo cerca de US$ 300 bilhões em eficiência energética, o que representou um crescimento de 15% sobre o ano anterior, de acordo com a Navigant Research, AEE Market Report 2017, criando milhões de empregos em muitos países, tanto na produção quanto na engenharia, projeto e instalação de equipamentos para essa finalidade.

De acordo com esse mesmo estudo, o mercado de energias alternativas apresentou um faturamento de quase US$ 500 bilhões, o que representou um crescimento de aproximadamente 5% sobre o ano anterior.

No Brasil, podemos dizer que estamos ainda “engatinhando” nessas áreas. Vários esforços tem sido notados, como por exemplo as iniciativas regulatórias da ANEEL e, as decisões do MME, dentre as quais, a criação do PROCEL, além de linhas de financiamentos especiais para eficiência energética e outros dignos de nota. No entanto, os resultados ainda são muito tímidos e podem ser apontados pontualmente, o que mostra uma enorme oportunidade nessa área.

Para se ter ideia do potencial dos projetos de eficiência energética, em termos de resultados, é possível se obter reduções significativas de consumo de energia, sendo que em media se espera até 30% nas industrias e nos edifícios e, até 40% em residências. Supondo que a energia corresponda a 15% dos custos de produção de uma determinada indústria, uma economia de 30% implica em quase 5% de redução de seus custos globais, o que pode aumentar significativamente sua competitividade, ou mesmo implicar em importante aumento de sua margem de lucro.

A estratégia de transferência dessa vantagem para seus clientes pode representar a conquista da liderança em seu segmento de mercado. Os investimentos em projetos dessa natureza podem ser feitos pela própria indústria ou por empresas especializadas nessa atividade dispostas a estruturar o financiamento e a implantação do projeto.

Outro aspecto importante a ser considerado para competitividade das empresas no Brasil é referente ao comportamento dos preços e da disponibilidade de energia elétrica. Esta ultima, é representada pelos racionamentos e, eventuais desligamentos de abrangência local ou de grande abrangência, conhecidos popularmente como “apagões”. As redes elétricas no país, por serem predominantemente aéreas, estão muito sujeitas a agentes naturais (principalmente ventos e chuvas) que provocam desligamentos, os quais muitas vezes prejudicam muito a produção.

Com relação aos preços, ressaltamos que são fortemente influenciados por decisões governamentais, por ingerências politicas na regulação do setor, e principalmente pela volatilidade decorrente do comportamento hidrológico, implicando na necessidade de despacho de usinas termelétricas, cujo combustível é pago pelo acréscimo das bandeiras tarifarias.

Em resumo, as empresas que se preocupam com a  redução de perdas, redução de custos, aumento de rentabilidade, crescimento, liderança de mercado e querem se manter competitivas, além de implantar projetos e programas de eficiência, tem que buscar sua autonomia energética, seja por meio da implantação de sistemas de geração própria local ou remota, ou mesmo pela adoção de tecnologias de cogeração, cujo rendimento energético pode atingir níveis de 90% ou acima.

Os avanços tecnológicos decorrentes do uso intensivo da energia solar e eólica, associados a sistemas de armazenamento e gestão inteligente de energia, tem auxiliado muito as empresas a obter resultados importantes no que se refere a sua autonomia e competitividade.

Pelo exposto, as decisões empresarias com relação ao uso da energia podem representar uma oportunidade ou uma ameaça para os negócios. As alternativas para mitigar as exposições aos riscos são muitas. Cabe a cada gestor ou empresário escolher o melhor caminho nesse sentido, contando com o apoio de empresas especialistas no assunto, cuja missão é ajudar a identificação das melhores opções disponíveis.

 

 

 

Postagens Recentes

Deixe um Comentário

Comece a digitar e pressione Enter para pesquisar